Moura poderá receber unidade de produção de sistemas de baterias

0
367
O Município de Moura recebeu hoje empresários interessados em investir na cidade.

O presidente da Câmara de Moura revelou hoje que uma empresa estrangeira está interessada em instalar uma unidade de produção de sistemas de baterias nas instalações da fábrica de painéis solares que fechou na cidade.

“Há uma manifestação de interesse, agora vamos ver se ela se materializa”, disse Álvaro Azedo, após uma reunião com investidores da empresa, cujo nome se escusou a revelar.

Na reunião, que decorreu hoje na autarquia e foi seguida de uma visita às instalações da MFS – Moura Fábrica Solar, situadas na cidade de Moura, no distrito de Beja, os investidores “pediram informações sobre a cidade, a fábrica e o contexto social e de preparação laboral para novas funções” dos trabalhadores que ficaram desempregados.

Segundo o autarca, os 105 trabalhadores da MFS, “pela sua preparação, serão pessoas muito aptas para trabalhar” na eventual nova unidade de produção de sistemas de baterias.

“Se os investidores não estivessem interessados, não tinham vindo cá [a Moura]. Só a vinda deles é uma manifestação de interesse, agora vamos ver se o interesse se materializa e dá lugar ao investimento”, afirmou.

Os investidores irão “fazer uma análise mais cuidada” das informações que levaram e que o município lhes vai enviar, adiantou o autarca, frisando: “Estamos numa fase embrionária e agora vamos trabalhar no sentido de consolidarmos um investimento no concelho e nas instalações da MFS”.

“Não gosto de meter a carroça à frente dos bois e, nestas coisas, sou extremamente cauteloso. Acho que temos trabalho de casa para fazer, que temos de ir trabalhando com estes parceiros, passo a passo, de uma forma muito segura, e vamos ver o que acontece”, afirmou.

Segundo Álvaro Azedo, “da parte do município, há o entusiasmo natural de quem quer defender os interesses do concelho e, da parte de todos os intervenientes, há muita vontade em cooperar”.

“Há uma série de variáveis em causa e não queremos lançar falsas expectativas”, disse, frisando que “o mais importante é que o interesse se materialize e se concretize um investimento sólido, que garanta a operação de uma empresa competitiva e que crie valor no concelho”.

O fecho da MFS foi anunciado em janeiro deste ano e justificado pela empresa proprietária, a espanhola ACCIONA, com o facto de a viabilidade económica da fábrica ser “impossível, num ambiente de mercado competitivo dominado por fabricantes chineses”.

A criação da MFS, que começou a funcionar em 2008, esteve vários períodos parada e parou de produzir definitivamente em setembro de 2018, foi uma das contrapartidas do projeto de construção da Central Solar Fotovoltaica de Amareleja, também no concelho de Moura.

Após ter comprado a empresa criada pela câmara para construir e gerir a central, a ACCIONA construiu a MFS e, no âmbito de um acordo com o município, comprometeu-se a mantê-la a funcionar durante 10 anos, ou seja, até 2018, e com mais de 100 trabalhadores.

Um porta-voz da ACCIONA disse que a empresa “cumpriu todos os seus compromissos” com as autoridades portuguesas, mantendo a atividade da fábrica durante 10 anos, “com uma média de mais de 100 empregados” e através de dois parceiros tecnológicos, um primeiro espanhol e um segundo chinês, que a geriram.

No entanto, o segundo parceiro, que geria a fábrica, “anunciou em 10 de setembro de 2018 – sete dias depois de a União Europeia ter decidido eliminar as tarifas sobre a importação de painéis da China – que iria concluir definitivamente a sua atividade em Moura e transferir a sua produção para fábricas na Ásia”, explicou o porta-voz.

“Ao longo de 2018”, a ACCIONA tentou negociar a entrada de um terceiro parceiro na gestão da MFS, mas “sem qualquer resultado, dada a evolução do setor à escala global”, e, por isso, “não houve outra opção senão [a de] fechar a fábrica”, o que deixou os 105 trabalhadores desempregados.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here