Bombeiros voluntários “apenas cumprem” o que a Proteção Civil determina

0
3135

O presidente da Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários enalteceu o trabalho que estes operacionais fazem em Monchique, onde um incêndio lavra há seis dias, defendendo os bombeiros voluntários das críticas que lhe têm sido dirigidas pelos residentes, explicando que estes têm feito “um esforço significativo” e que se não fazem mais é porque “apenas cumprem aquilo que determinam”.

“Se junto das populações não há essa presença, não é por decisão dos próprios bombeiros, é por decisão de quem está no comando e que são elementos da Autoridade Nacional da Proteção Civil”, apontou Rui Silva.

Segundo Rui Silva, a esmagadora maioria bombeiros que combatem o incêndio são voluntários e, na sua esmagadora maioria, só têm um equipamento de proteção individual para combate, “mas nem por isso nos colocamos em ‘bicos de pés’, questionando quem são afinal as ‘tropas de elite’ e os ‘amadores’ ou os investimentos efetuados e o retorno obtido”.

O responsável lamentou ainda que os bombeiros voluntários não tenham “o verdadeiro reconhecimento por parte do Estado”, alertando para o desinvestimento nas associações humanitárias de bombeiros voluntários há vários anos.

“No terreno são os únicos que dizem sempre presente e são sempre o maior e mais representado agente da proteção civil apesar do desinvestimento não só em viaturas, equipamentos de proteção individual, quarteis, mas também quanto ao estatuto social criado em 1995 que hoje praticamente não existe”, acusou.

Sobre a evolução do incêndio de Monchique, Rui Silva afirma que “é prematuro fazer uma avaliação [do que se passa no terreno], mas efetivamente estranhamos muito que o uso do fogo como ferramenta para o controlo deste incêndio não esteja a ser utilizado, ainda não ouvimos, é possível que tenha acontecido num ou outro ponto”.

Para este responsável, a criação de “faixas negras de proteção às zonas habitadas” e até mesmo utilizando nas melhores zonas de combate, como são as estradas e pontos de água “poderia resolver”.

Rui Silva salienta que há bombeiros formados no uso deste fogo, técnica que recorda foi “empregue no ano passado de forma bastante generalizada pelas forças espanholas”, estranhando o facto de não estar a ser usada no terreno.

“Em locais onde é difícil o combate com veículos e com água poderia ser a solução. Achamos estranho que não se verifique, pelo menos que tenhamos conhecimento desse uso. Poderia, em muitos locais, ser a diferença entre o fogo passar ou não passar a menos, a menos que esta informação nos chegue, até ao momento, ainda não a tivemos”, frisou.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here