Bombeiros profissionais pedem explicações sobre o que está a falhar em Monchique

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Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, quer ouvir explicações

Os representantes dos bombeiros profissionais decidiram hoje pedir uma audiência “muito urgente” com o ministro da Administração Interna para questionar porque se voltaram a ter fogos com duração de mais de três dias estando tantos meios de combate envolvidos.

A direção nacional da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) e o Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP) reuniram-se hoje de forma a avaliar a situação dos incêndios rurais, nomeadamente, o incêndio na serra de Monchique, no Algarve, que lavra já há dias.

Em comunicado, os representantes dos bombeiros consideram que é “urgente saber porque voltamos a ter fogos com uma duração de mais de três dias, tanto mais que era conhecido há meses que a Serra de Monchique constitui uma zona de alto risco”.

“A reorganização que o governo implementou no combate e as medidas de prevenção devem ser avaliadas, porque assistimos a um incêndio na Serra de Monchique que envolve mais de um milhar de operacionais, duas centenas de veículos, 13 meios aéreos e um número considerável de máquinas de arrasto… e ainda não está controlado”, frisam as estruturas em comunicado.

Os bombeiros profissionais consideram igualmente importante saber o que está a falhar no combate ao incêndio já que, conforme acrescentam existe “tão elevado dispositivo” além de “medidas de pré-posicionamento, entre outras ações da Câmara Municipal de Monchique.

Segundo as duas estruturas, “importa repensar a estratégia de combate, quer no que respeita aos meios humanos, quer materiais considerando “lamentável que voltem a ser destruídas habitações e que o perímetro urbano do concelho de Monchique esteja a viver dias de terror”.

Para os responsáveis de ambas as organizações, é “necessário e urgente” que o posicionamento dos homens no terreno tenha em consideração a sua “segurança criando técnicas através das quais possam combater e não ir ao encontro do fogo que progride pela copa das árvores ou na progressão normal junto ao solo”.

“Consideramos que apesar das dificuldades devido à orografia do terreno, as altas temperaturas e as limpezas das áreas florestais que não se efetuaram, o dispositivo envolvido no incêndio deveria ter já contribuído para que o mesmo não continue a progredir da forma que vem sucedendo, mesmo com as atuais condições climatéricas”, frisam em comunicado.

A ANPB e o SNBP querem ainda saber se, apesar das “alterações positivas que o Governo implementou”, em termos de intervenção, comando e combate “não haverá falhas técnicas e operacionais que se repetem de ano para ano”.

“Não queremos que seja tarde de mais! Nem queremos que haja mais nenhum ‘Pedrogão’ ou ‘Góis’ ou mais nenhuma população em perigo ou mais nenhuma morte de civis ou bombeiros”, apelam as estruturas.

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